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segunda-feira, 20 de julho de 2020

A PAROUSIA NOS EVANGELHOS

A PAROUSIA NOS EVANGELHOS

O ensinamento de Nosso Senhor sobre a Parousia nos Evangelhos sinópticos
Previsão da ira que vem naquela geração 
Alusões adicionais à ira 
O destino iminente da nação judaica 
O fim do mundo ou o fim da dispensação judaica?
A vinda do Filho do Homem (a Parousia) durante a vida dos apóstolos 
A Parousia deve ter lugar durante a vida dos discípulos 
A vinda do Filho do Homem, segura e pronta 
A recompensa dos discípulos na era vindoura, ou seja na Parousia


O ENSINAMENTO DE NOSSO SENHOR SOBRE A 
PAROUSIA NOS EVANGELHOS SINÓPTICOS

Como conseqüência de ter sido preso por Herodes Antipas, o fim do ministério de João Batista marca uma nova orientação no ministério de nosso Senhor. Na verdade, antes desse tempo, ele ensinava as pessoas, realizava milagres, ganhava adeptos e ganhava grande popularidade; Mas, depois desse evento, que pode ser considerado como uma indicação do fracasso da missão de João, nosso Senhor recuou para a Galileia e entrou em uma nova fase de seu ministério público. Somos informados de que "desde então, Jesus começou a pregar e a dizer: Arrependa-se, porque o reino dos céus está próximo" (Mateus 4:17). Estes são os termos precisos com os quais a pregação de João Batista é descrita (Mateus 3:2). Tanto nosso Senhor quanto seu precursor chamaram "a nação ao arrependimento", e anunciaram a aproximação do "reino dos céus". Segue-se que, com a frase "o reino dos céus se aproximou", João não poderia simplesmente significar que o Messias estava prestes a aparecer, porque, quando Cristo realmente apareceu, ele fez o mesmo anúncio: "O reino dos céus está próximo". Da mesma forma, quando os doze discípulos foram enviados em sua primeira missão de evangelização, eles foram mandados a pregar, não que o reino dos céus tivesse chegado, mas se aproximou (Mateus 10:7). Que o reino teocrático não veio no tempo de nosso Senhor, nem no dia de Pentecostes, é evidente pelo fato de que, em seu discurso profético no Monte das Oliveiras, nosso Senhor deu a seus discípulos certos sinais por meio de que poderia saber que o reino dos céus estava próximo (Lucas 21:31).

Portanto, chegamos a certas conclusões claramente dedutíveis dos ensinamentos de nosso Senhor:

1- Que Ele proclamou que uma grande crise, ou consumação, chamada "o reino dos céus", se aproximou.

2- Que esta consumação, embora próxima, não ocorreria durante o curso de sua vida, nem por alguns anos após sua morte.

3- Que seus discípulos, ou pelo menos alguns deles, poderiam esperar testemunhar a chegada dessa consumação.

Mas todo o assunto do "reino dos céus" deve ser reservado para uma discussão mais completa em um período futuro.

PREVISÃO DA IRA QUE VEM NAQUELA GERAÇÃO

Há outro ponto de semelhança entre a pregação de nosso Senhor e a de João Batista. Ambos deram os indícios mais claros da proximidade próxima de um tempo de julgamento que devia cair sobre a geração existente, por causa da rejeição das admoestações e dos convites da misericórdia divina. Assim como João Batista falou da "ira vindoura", também nosso Senhor, com igual clareza, advertiu o povo do "julgamento vindouro". Jesus repreendeu "as cidades em que ele realizou muitos dos seus milagres, porque não se arrependeram", e ele previu que seria um maior infortúnio do que o que havia caído sobre Tiro e Sidom, Sodoma e Gomorra. (Mateus 11:20-24). Que tudo isso aponta para uma catástrofe que não era remota, mas perto, leia Mateus 12:38-46 (compare Lucas 11:16, 24-36): 

Então alguns dos escribas e dos fariseus tomaram a palavra, dizendo: Mestre, quiséramos ver da tua parte algum sinal.
Mas ele lhes respondeu, e disse: Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o sinal do profeta Jonas;
Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra.
Os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração, e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é maior do que Jonas.
A rainha do sul se levantará no dia do juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é maior do que Salomão.
E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra.
Então diz: Voltarei para a minha casa, de onde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada.
Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má.
E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe.
Mateus 12:38-46

Esta passagem é de grande importância para estabelecer o verdadeiro significado da frase "esta geração" [genea]. Neste lugar, ele só pode se referir aos povos de Israel que viveram - a geração então atual. Nosso Senhor costumava se referir aos seus contemporâneos quanto a esta geração:

"Mas, a que devo comparar esta geração?" - isto é, os homens daquele dia que não ouviriam nem o seu precursor nem a si mesmo (Mt 11:16, Lc 7:31). Mesmo comentaristas como Stier, que detém a interpretação de "genea" como uma raça ou linhagem em outras passagens, admite que a referência nessas palavras é "para a geração que estava viva naquele momento e naquele momento, o que era o mais importante." (1) Assim, na passagem diante de nós, não pode haver controvérsias quanto à aplicação das palavras exclusivamente à geração que existia então, os contemporâneos de Cristo. Nosso Senhor aqui testemunha a iniquidade exacerbada (Agravar-se; tornar-se mais intenso ou forte) e enorme desse período. Jesus acabou de dirigir-se a essa geração com as mesmas palavras de João Batista: "Geração de víboras!". (Mt 12:34) É declarado que sua culpa excede a dos pagãos; Aquela geração é comparada a um endemoninhado, de quem o espírito imundo partiu por um tempo, mas retornou com maior força do que antes, acompanhado por outros sete espíritos pior do que ele, de modo que "o último estado desse homem vem a ser pior do que o primeiro". 

Temos no testemunho de Josefo uma confirmação impressionante da descrição de nosso Senhor sobre a condição moral dessa geração. "Como seria impossível relacionar suas enormidades em detalhes, direi brevemente que nenhuma outra cidade já sofreu calamidades semelhantes, e que nunca houve uma geração que fosse mais prolífica no crime". Confessaram que eram escravos - e eram - a escória da sociedade , as monstruosidades falsas e contaminadas da nação". (2) E aqui não posso conter-me, e devo expressar o que meus sentimentos me dizem, sou de opinião que, se os romanos tivessem adiado a punição desses miseráveis, ou a Terra se abriu e a cidade havia engolido ou teria sido varrido por uma inundação ou compartilhado o destino de Sodoma, porque produziu uma raça muito mais selvagem do que aqueles que foram visitados, porque, através da loucura desesperada desses homens, toda a nação viu envolvido na ruína deles. (3) De alguma forma, esse período tornou-se tão prolífico na iniquidade de todos os tipos entre os judeus, que nenhum trabalho maligno foi deixado sem permissão ... tão universal foi o contágio, tanto em público como em particular, e essa emulação para superar uns aos outros em atos de impiedade para com Deus e injustiça para com seus vizinhos". (4)

Tal era a terrível condição  em que a nação se apressou quando nosso Senhor pronunciou essas palavras proféticas. O clímax ainda não chegou, mas já estava totalmente à vista. O espírito imundo ainda não voltou para sua casa, mas ele estava a caminho. Como Stier observa: "No período entre a ascensão de Cristo e a destruição de Jerusalém, especialmente no final disso, poderíamos dizer que esta nação parece possuída por sete mil demônios". (5) Não é este um cumprimento adequado e completo da previsão do Salvador? Temos a menor justificativa, ou a menor necessidade, dizendo que isso significa algo mais do que isso? Que razão existe para assumir um cumprimento adicional e futuro de suas palavras? Não é um desacredito total da profecia de Jesus buscando algo mais do que o significado óbvio que aponta tão claramente para uma catástrofe iminente que estava prestes a ocorrer nessa geração? Certamente, mostramos a maior reverência pela palavra de Deus quando aceitamos implicitamente seus ensinamentos óbvios e rejeitamos as especulações injustificadas e meramente humanas que os críticos e os teólogos extraíram de sua própria fantasia. Concluímos, então, que, na escandalosa devassidão da época, e as notáveis ​​calamidades que, antes de terminar destruindo o povoado judeu, temos o testemunho histórico do preenchimento completo da profecia.


ALUSÕES ADICIONAIS À IRA

Lucas 13:1-9: "E, Naquele mesmo tempo, estavam presentes ali alguns que lhe falavam dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios.
E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas?
Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.
E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém?
Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.
E dizia esta parábola: Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando;
E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho. Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente?
E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque;
E, se der fruto, ficará e, se não, depois a mandarás cortar."

Quão vividamente nosso Senhor percebeu as iminentes calamidades da nação, e quão claras e distintas eram suas advertências, pode-se inferir desta passagem. O assassinato de alguns galileus que subiram a Jerusalém para a festa da Páscoa, seja por ordem ou com a conspiração do governador romano, e a súbita destruição de dezoito pessoas pela queda da torre perto do grupo de Siloé foram incidentes que formaram os temas de conversa das pessoas naquela época. Nosso Senhor declara que as vítimas dessas calamidades não eram excepcionalmente impacientes, mas que um destino semelhante alcançaria as mesmas pessoas que agora falavam delas, a não ser que se arrependessem.  O ponto de sua observação, muitas vezes negligenciado, reside na semelhança da ameaça de destruição. Ele não disse: "todos vocês irão perecer também", mas "todos vocês vão perecer da mesma maneira"; Que nosso Senhor tinha em vista a ruína que estava prestes a chegar a Jerusalém e a nação dificilmente pode ser duvidado. A analogia entre os casos é real e impressionante". Foi na festa da Páscoa que a população da Judeia se reuniu em Jerusalém, e ali foi preso pelas legiões de Tito, Josefo nos diz como, na última agonia do cerco, o sangue dos sacerdotes que oficiaram foi derramado ao pé do altar sacrificial. Os soldados romanos eram os executores do julgamento divino; e quando o templo e a torre caíram no chão, eles enterraram em suas ruínas muitas vítimas de impenitência e incredulidade. É gratificante descobrir que Alford e Stier reconhecem a alusão histórica nesta passagem. O primeiro observa a força perdido na versão de nossas Bíblias "da mesma forma", [semelhante], que deveria ser traduzido "da mesma forma" [da mesma maneira], assim como o povo judeu pereceu pela espada dos romanos".(6)


O DESTINO IMINENTE DA NAÇÃO JUDAICA

Parábola da figueira estéril

Lucas 13:6-9: "E dizia esta parábola: Um certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha, e foi procurar nela fruto, não o achando;
E disse ao vinhateiro: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho. Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente?
E, respondendo ele, disse-lhe: Senhor, deixa-a este ano, até que eu a escave e a esterque;
E, se der fruto, ficará e, se não, depois a mandarás cortar."

O mesmo significado profético é revelado nesta parábola, que é quase a contrapartida da que aparece em Isaías 5, tanto na forma como no sentido. A verdadeira interpretação é tão óbvia que dificilmente é necessária qualquer explicação. Sua aplicação ao povo judeu é tão clara e direta, mais especialmente quando considerada em relação aos avisos anteriores. Israel é a figueira inútil, cultivada há muito tempo, mas sem produzir frutos para seu dono. Agora ele está em seu último teste: o machado, como João Batista declarou, foi colocado na raiz da árvore; mas o golpe fatal foi adiado pela intercessão da misericórdia. Mesmo naquele momento, o Salvador estava ocupado em seu trabalho de graça para alimentá-lo e cultivá-lo; um pouco mais, e o decreto surgiu: "Corte-o, por que ocuparia ainda a terra inutilmente?".

Não há dúvida de que, nessa como em outras parábolas, existem princípios gerais aplicáveis ​​a todas as nações e a todos os tempos; mas não devemos perder de vista sua referência original e primária ao povo judeu. Stier e Alford parecem perder-se na busca de significados recônditos e místicos nos pequenos detalhes das imagens; Mas Neander dá uma explicação luminosa de sua verdadeira importância: "Como a figueira inútil, que não reconheceu o propósito de sua existência, foi destruída, assim também a nação teocrática, pelo mesmo motivo, depois de ter tido muita paciência, teria que ser alcançada pelos juízos de Deus e cortada de seu reino". (7)


O FIM DO MUNDO OU DA DISPENSAÇÃO JUDAICA?

Parábola do joio e do trigo

Mateus 13:36-50: "Então, tendo despedido a multidão, foi Jesus para casa. E chegaram ao pé dele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo.
E ele, respondendo, disse-lhes: O que semeia a boa semente, é o Filho do homem;
O campo é o mundo; e a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno;
O inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos.
Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será na consumação deste mundo.
Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniquidade.
E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes.
Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo.
Outrossim o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas;
E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a.
Igualmente o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanha toda a qualidade de peixes.
E, estando cheia, a puxam para a praia; e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora.
Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos,
E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes".

Nas passagens citadas aqui, encontramos um exemplo de uma dessas traduções que tem feito muito para confundir e desorientar os leitores comuns de nossas versões bíblicas. É provável que, com a frase "fim do mundo", noventa e nove de cada cem leitores compreendam o fim da história humana e a destruição da Terra material. Eles não imaginariam que o "mundo" em Mt. 13:38 e o "mundo" em Mt. 13:39, 40, são palavras totalmente diferentes, com significados totalmente diferentes. No entanto, esse é o fato. Kosmos em Mt. 13:38 é o mundo corretamente traduzido e refere-se ao mundo dos homens, mas o éon em em Mt. 13:39, 40, refere-se a um período de tempo e deve ser processado por idade ou época. Lange traduz isso como um aion. É de extrema importância compreender corretamente os dois significados desta palavra e da frase "o fim do aion", ou da "era". Aion é, como dissemos, um período de tempo, ou época. É exatamente equivalente à palavra latina aevum , que é meramente aion com traje latino; e a frase traduzida para a nossa versão, "o fim do mundo", deve ser "o fim desta época". Tittman observa: (grego - sunteleia tou aion) no Novo Testamento, não indica o fim do mundo, mas sim a consumação do aion, que deve ser seguido por uma nova era. Este é o caso em Mateus 13:39, 40, 49; 24:3; é de temer que esta última passagem seja mal interpretada quando aplicada à destruição do mundo. (8) Sempre foi crença dos judeus que o Messias inauguraria um novo aion, ou uma nova era: já este novo aion, ou essa era, é chamado de "reino dos céus". Portanto, o aion existente (a era presente) era a dispensação judaica, que agora se aproximava do fim; e o Senhor mostra nessas parábolas de forma impressionante como isso acabaria. É realmente surpreendente que os ouvintes não tenham reconhecido nestas previsões solenes a reprodução e reiteração das palavras de Malaquias e João Batista. Aqui encontramos a mesma separação final entre os justos e os ímpios; a mesma purificação da terra; o mesmo recolher o trigo no celeiro; o mesmo queima da palha [o joio, o restolho] no fogo. Pode haver alguma dúvida de que este é o mesmo ato de julgamento, no mesmo período de tempo, para o mesmo evento histórico, ao qual Malaquias, João e nosso Senhor se referem?

Mas vimos que João Batista previu um julgamento que era então iminente - uma catástrofe tão próxima que o machado 
já estava na raiz das árvores - de acordo com a profecia de Malaquias, que "o dia grande e terrível do Senhor" seguiria a chegada do segundo Elias. Chegamos, portanto, à conclusão de que essa discriminação entre os justos e os ímpios, a reunião do trigo no celeiro e queimando o joio no fogo, se refere à mesma catástrofe, isto é, à ira que veio sobre a mesma geração, quando Jerusalém literalmente se tornou uma "fornalha de fogo", e a era do judaísmo terminou no "grande e terrível dia do Senhor".

Esta conclusão é apoiada pelo fato de que existe uma estreita relação entre esta grande época judicial e a vinda do "reino dos céus". Nosso Senhor representa a separação entre os justos e os ímpios como característica da grande consumação que se chama "o reino de Deus". Mas havia sido declarado que o reino estava nas portas. Segue-se, portanto, que as parábolas diante de nós se referem, não a um evento remoto ainda no futuro, mas a um que, no tempo de nosso Salvador, estava perto.

Um argumento adicional a favor deste ponto de vista deriva da consideração de que nosso Senhor, em sua explicação da parábola da joio, fala de si mesmo como semeador da boa semente: "Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem". É para o seu próprio ministério pessoal e resultados que ele se refere e, portanto, devemos considerar a parábola para ter uma relação especial com seus contemporâneos. Isto está em perfeita harmonia com sua solene advertência de Lucas 13:26-28, onde Ele descreve a condenação daqueles que tiveram o privilégio de apreciar sua presença pessoal e ministério, e que fingiram discipulado, mas eram joio e não trigo. "Então começareis a dizer: Temos comido e bebido na tua presença, e tu tens ensinado nas nossas ruas.
E ele vos responderá: Digo-vos que não vos conheço nem sei de onde vós sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniquidade. Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, e Isaque, e Jacó, e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora". Mesmo que essa linguagem seja aplicável aos homens em geral sob o evangelho, é claro que teve uma aplicação direta e específica aos contemporâneos de nosso Senhor - a geração que testemunhou seus milagres e ouviu suas parábolas; e que tiveram um relacionamento com ele, como não teve com mais ninguém.

Encontramos na conclusão da parábola do joio uma nota bem impressionante,  que chama a atenção de uma maneira especial para a instrução contida nela: "Aquele que tem ouvidos para ouvir, que ele ouça". Podemos aproveitar a ocasião para fazer uma observação sobre a imensa importância de ter um conceito verdadeiro do período em que nosso Senhor e os apóstolos ensinaram. Isso é indispensável para entender corretamente a doutrina do Novo Testamento sobre o "reino de Deus", o "fim dos tempos" e a "era por vir" ou o mundo por vir. Esse período foi perto do fim da dispensação judaica. A economia mosaica - como é chamado - o sistema de leis e instituições dadas à nação pelo próprio Deus, e que existiram por mais de quarenta gerações - estava prestes a ser substituída e desaparecer. Já estava em cena a última geração que possuía a terra - a última e também a pior - a criança e o herdeiro de seus antecessores. O longo período durante o qual o Senhor esgotou todos os métodos que a sabedoria divina e o amor divino poderiam conceber para cultivar e reformar Israel estava prestes a terminar. Isso acabaria desastrosamente. A Ira, por muito tempo contida e reprimida, explodiria e destruiria aquela geração. Esse seria "o grande e terrível Dia do Senhor". Este é "o fim do século" ao qual o Senhor sempre se referiu, e que seus apóstolos constantemente previam. Eles já estavam na penumbra daquela tremenda crise, cada vez mais perto cada dia, e, finalmente, de repente chegaria "como um ladrão na noite". Esta é a verdadeira explicação das constantes exortações para assistir, ser paciente e esperar, que está em abundância nas epístolas apostólicas. Eles viveram esperando uma consumação que viesse em seu próprio tempo, e que eles pudessem testemunhar com seus próprios olhos. Esse fato é evidente nos escritos do Novo Testamento; é a chave para interpretar muito do que de outra forma seria obscuro e ininteligível, e veremos durante esta investigação quão consistente essa visão é realizada ao longo das Escrituras do Novo Testamento.


A VINDA DO FILHO DO HOMEM (A PAROUSIA) DURANTE A VIDA DOS APÓSTOLOS

Mateus 10:23: "Quando vos perseguirem nesta cidade, fujam para o outro; porque em verdade digo-vos que não passarás por todas as cidades de Israel, antes que venha o filho do homem".

Nesta passagem, encontramos a primeira menção clara a esse grande evento que veremos com tanta frequência a respeito de nosso Senhor e seus Apóstolos, ou seja, sua Parousia. Na verdade, pode-se perguntar, como veremos, se esta passagem corretamente pertence a esta parte da história do evangelho. (9) Mas, deixando de lado a questão por enquanto, vamos nos perguntar o que realmente é a chegada do qual é falado aqui. Será possível, como sugere Lange, que Jesus seguisse seus mensageiros tão rapidamente no seu circuito evangelístico que iria alcançá-los antes de terminar? Ou devemos aceitar, como Michaelis, o significado claro e óbvio indicado pelas próprias palavras? A interpretação de Lange é certamente inaceitável. Quem pode duvidar que "a vinda do Filho do homem", o que é falada em toda parte, é a fórmula pela qual a Parousia,  a segunda  vinda de Cristo, é expressa? Esta frase tem um significado definido e constante, bem como a sua crucificação, ou a sua ressurreição, e não admite qualquer outra interpretação. Mas poderia ter uma dupla referência, primeiro, ao julgamento iminente de Jerusalém e, segundo, à destruição final do mundo, sendo o primeiro considerado como sombra do segundo? Alford aceita o duplo significado e é severo com aqueles que hesitam em aceitá-lo. Ele nos diz o que ele acha que Cristo queria dizer; mas, por outro lado, temos que considerar o que Ele disse. Os defensores do duplo sentido têm certeza de que Ele quis dizer mais do que Ele disse? Vamos olhar para as palavras dele. Alguma coisa pode ser mais específica e mais definida em termos de pessoas, lugar, tempo e circunstâncias do que esta previsão de nosso Senhor? É para os doze que ele fala; são as cidades de Israel que devem evangelizar; o tema é a sua chegada inicial; e o tempo é tão próximo que antes do seu trabalho terminar sua vinda acontecerá. Mas se quisermos ser informados de que esse não é o significado, nem mesmo a metade, e que isso inclui outra vinda, a outros evangelistas, a outras eras e outras terras - uma vinda que, depois de dezoito séculos, ainda é futuro, e talvez remoto - então surge a pergunta: o que a Bíblia não pode significar? O significado gramatical das palavras já não é suficiente para a interpretação; A Escritura é um enigma que deve ser adivinhado, um oráculo que pronuncia respostas ambíguas; e ninguém pode ter certeza, sem uma revelação especial, de que ele entende o que ele lê. Portanto, estamos dispostos a concordar com Meyer que esta dupla referência "não é nada além de uma evasão forçada e antinatural", as palavras significam simplesmente o que dizem - que antes que os apóstolos completassem sua obra de evangelizar a terra de Israel, a vinda do Senhor deveria acontecer.

Esta é a interpretação da passagem tomada pelo Dr. E. Robinson. (10). "A vinda referida é a destruição de Jerusalém e a dispersão da nação judaica, e o significado é que os apóstolos mal teriam tempo, antes da catástrofe, de passar por todas as cidades, alertando as pessoas da destruição de uma geração infeliz, de modo que eles não poderiam se dar ao luxo de atrasar em qualquer lugar depois que seus habitantes tivessem ouvido e rejeitado a mensagem".


A PAROUSIA DEVE TER LUGAR DURANTE A VIDA DE ALGUNS DISCÍPULOS

Mateus 16:27,28: "Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras.
Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino.

Marcos 8:38; 9:1: "Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai, com os santos anjos". 
"Dizia-lhes também: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o reino de Deus com poder" . 

Lucas 9:26, 27: "Porque, qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos.
E em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte até que vejam o reino de Deus."

Esta declaração notável é de extrema importância nesta discussão e pode ser considerada como a chave para interpretar corretamente a doutrina da Parousia no Novo Testamento. Embora não se possa dizer que haja alguma dificuldade especial com o texto, ele causou grande perplexidade entre os comentaristas, que estão muito divididos em suas explicações. Certamente, é desnecessário perguntar o que é a vinda do Filho do Homem que está prevista aqui. Supor que se refere meramente à gloriosa manifestação de Jesus no monte da transfiguração, embora esta seja uma hipótese apoiada por grandes nomes, (11) é tão palpável e inadequada como uma interpretação que dificilmente precisa ser refutada. A mesma observação aplica-se aos comentários do Dr. Lange, que assume que esta vinda foi parcialmente cumprida com a ressurreição de Cristo. Esta exegese de Lange é uma ilustração tão curiosa dos arquivos aos quais os defensores de uma teoria de interpretação bi direcional, que merece ser citada, têm que recorrer. "Em nossa opinião", diz ele: "é necessário distinguir entre o advento de Cristo na glória de seu reino dentro do círculo de seus discípulos, e esse mesmo evento se aplica ao mundo em geral e ao julgamento. O último é o que geralmente é entendido pelo segundo advento: o primeiro ocorreu quando o Salvador ressuscitou dentre os mortos e apareceu no meio de seus discípulos. Assim, o significado das palavras de Jesus é: o momento está chegando quando seus corações descansarem na manifestação da minha glória; nem será o destino de todos os que estão aqui para morrer durante o intervalo. O Senhor poderia ter dito que apenas dois desses naquele círculo morreriam até então, a saber, Ele mesmo e Judas. Mas, na sua sabedoria, ele escolheu a expressão: "Alguns daqueles que estão aqui não vão provar da morte", para lhes dar exatamente a medida da esperança e da expectativa ansiosa que eles precisavam." (12)

Basta dizer que tal interpretação das palavras de nosso Salvador nunca poderia ter passado pelas mentes daqueles que as ouviram. É tão implausível, intrincada e artificial, que é desacreditada pela própria ingenuidade. Mas a interpretação também não satisfaz as exigências do texto. Como a ressurreição de Cristo pode ser chamada de sua vinda na glória de seu Pai, com os santos anjos, no Seu reino e julgando cada um segundo suas obras? Ou como podemos supor que Cristo, falando de um evento que aconteceria mais ou menos em vinte meses, diria: "Em verdade, eu digo a você: alguns dos que estão aqui não provarão a morte até que vejam o reino de Deus?" A própria forma da expressão mostra que o evento que está sendo falado não pode ser dentro de alguns meses, mesmo dentro de alguns anos: é uma maneira de falar, que todos os presentes viveriam para testemunhar o evento que está sendo falado; que muitos não estariam; mas alguns outros sim. É exatamente a maneira de falar que caberia em um intervalo de trinta ou quarenta anos, quando a maioria das pessoas presentes ali teriam morrido, mas algumas sobreviveriam e testemunhariam o evento mencionado.

Alford (13) e Stier compreendem mais razoavelmente a passagem como se referindo "a destruição de Jerusalém e a manifestação completa do reino de Cristo através da aniquilação do estado judeu", embora ambos embaraçam e confundam sua interpretação com a hipótese de uma oculta alusão a outra "vinda final", da qual a destruição de Jerusalém teria que ser "tipo e sinal". Deste modo, no entanto, nenhuma sugestão é dada pelo próprio Cristo ou pelos evangelistas. A verdade é que não se pode negar que nosso Senhor às vezes usava linguagem ambígua. Para os judeus, ele disse: "Destrua este templo, e eu o ressuscitarei em três dias" (João 2:19), mas o evangelista tem o cuidado de acrescentar: "Mas ele falou do templo de seu corpo". Então, quando Jesus alude à maneira de sua própria morte, dizendo: "E eu, se eu for levado da terra", o evangelista acrescenta: "E dizia isto, significando de que morte havia de morrer" (João 12:33). Portanto, é razoável supor que, se os evangelistas conhecessem um significado mais profundo e mais oculto das previsões de Cristo, teriam dado uma indicação disso; mas eles não dizem nada que nos leve a inferir que seu significado aparente não é seu significado completo e verdadeiro. 

Na verdade, não há ambiguidade quanto a vinda do que é aludido na passagem agora em consideração. 

Não é uma das várias aventuras possíveis; mas um único e supremo evento, tão frequentemente predito por nosso Senhor, tão constantemente esperado por Seus discípulos. É a Sua vinda em glória; Sua vinda ao julgamento; Sua vinda em Seu reino; a vinda do reino de Deus. Não é um processo, mas um ato. Não é a mesma coisa que "a destruição de Jerusalém" - esse é outro evento relacionado e contemporâneo; mas os dois não devem ser confundidos. O Novo Testamento conhece apenas uma Parousia, uma vinda em glória do Senhor Jesus Cristo. É completamente um abuso de linguagem falar de vários sentidos nos quais se pode dizer que Cristo vem - como em Sua própria ressurreição; no dia de Pentecostes; na destruição de Jerusalém; na morte de um crente; e em várias épocas providenciais. Este não é o uso do Novo Testamento, nem é uma linguagem precisa em nenhum ponto de vista. Somente esta passagem contém tanta verdade importante a respeito da Parousia, que se pode dizer que cobre todo o terreno; e, quando usado corretamente, será considerado a chave para a verdadeira interpretação da doutrina do Novo Testamento sobre esse assunto.

Concluímos então:

1. Que a vinda da qual se fala aqui é a Parousia, a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo.

2. Que essa parousia seria gloriosa - "na sua glória" e"na glória do seu Pai", "com os santos anjos".

3. Que o propósito de sua parousia foi julgar aquela "geração perversa e adúltera" (Marcos 8:38) e "dar a cada um de acordo com suas obras".

4. Que a sua vinda seria a consumação do "reino de Deus"; o fim da era; "a vinda do reino de Deus com poder".

5. Que o nosso Salvador declarou expressamente que esta manifestação estava próxima . Lange observa corretamente que as palavras são "colocadas enfaticamente no início da oração, não é um futuro simples, mas eles significam: o evento é iminente e que em breve Ele virá, está prestes a vir". (14)

6. Que alguns dos que ouviram o nosso Salvador fazer esta predição teriam que viver para testemunhar o evento do qual ele estava falando, isto é, a sua vinda em glória.

Portanto, segue-se que Ele próprio declarou que a Parousia, ocorreria dentro dos limites da geração que existia, uma conclusão que encontraremos na sequência como justificável e em abundância.

A VINDA DO FILHO DO HOMEM, SEGURA E PRONTA

Parábola da viúva importunada

Lucas 18:1-8: "E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer,
Dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava o homem.
Havia também, naquela mesma cidade, uma certa viúva, que ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário.
E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens,
Todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte, e me importune muito.
E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.
E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?
Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?"

O caráter intensamente prático e atual, se podemos chamá-lo assim, dos discursos de nosso Senhor, é uma característica de seus ensinamentos que, embora muitas vezes negligenciados, requer que ele não seja perdido de vista. Ele falou com seu próprio povo, em seu próprio tempo. Ele era o mensageiro de Deus para Israel; e, embora seja muito verdade que suas palavras são para todos os homens em todos os momentos, foram aplicadas principalmente e diretamente à sua própria geração. Por falta de atenção a este fato, muitos expositores fugiram completamente da intenção da parábola diante de nós. Em suas mãos, torna-se uma predição vaga e indefinida de uma reivindicação dos justos, em algum período mais ou menos remoto, mas sem qualquer aplicação especial para o povo e para o tempo do próprio Senhor. Certamente, qualquer aplicação pessoal que essa parábola possa trazer para nós ou para tempos futuros, teve uma aplicação direta e específica aos discípulos a quem foi originalmente abordada. O Senhor estava prestes a deixar seus discípulos "como ovelhas no meio dos lobos"; eles seriam perseguidos e afligidos, e odiados por todos os homens, pelo amor de seu Mestre; e poderia muito bem acontecer que faltasse coragem e que seus corações desmaiassem. Nesta parábola, o Salvador os encoraja a "orar sempre, e não desanimar", através do exemplo do que a oração perseverante pode fazer, mesmo com os homens. Se a importunidade de uma viúva pobre pudesse restringir um juiz sem princípios para fazer justiça a ela, quanto mais Deus, o único juiz, seria movido pelas orações de seus próprios filhos para que suas queixas fossem reparadas. Sem alegorizar todos os detalhes da parábola, como alguns comentaristas fazem, basta sublinhar a sua grande moral. É esta: Os filhos perseguidos de Deus seriam vingados com segurança e prontamente. Deus os vindicaria e logo. Mas quando? O ponto no tempo não foi deixado indefinido. É "quando o filho do homem vier". A parousia seria a hora da reparação e libertação do povo sofredor de Deus.

A reflexão de nosso Senhor no final do versículo oito merece atenção especial. "Mas quando o Filho do Homem vier, ele encontrará fé na Terra?" Neste ponto, devemos retornar aos fatos acima mencionados sobre o ministério de João Batista. Vimos como o horizonte escuro e ameaçador era o ponto de vista do profeta que pregava arrependimento a Israel. Ele foi o precursor do "grande e terrível dia do Senhor"; Foi o segundo Elias enviado para proclamar a vinda daquele que "feriria a terra com uma maldição". A reflexão de nosso Senhor indica que ele previu que o arrependimento, o único que poderia impedir o desastre da nação, não seria procurado. Não haveria fé em Deus, nem em suas promessas, nem em suas ameaças. Portanto, o dia do Senhor seria o "dia da retribuição" (Lucas 21:22).

Doddridge capturou bem o alcance desta parábola, e parafraseia o versículo da seguinte forma: 'Assim, nosso Senhor discursou com Seus discípulos sobre a aproximação da destruição de Jerusalém pelos romanos; e incentivá-los tendo em vista as calamidades que poderiam alcança-los, tanto de seus compatriotas como de outros incrédulos; Ele contou uma parábola, para eles, que tinha a intenção de alertar para esta grande verdade, que independente de quão angustiantes as suas circunstâncias poderiam ser, eles deveriam sempre orar com fé e perseverança, e não desmaiar sob suas provações". (15)

A seguir, é a paráfrase de Lucas 18:8: "Sim, eu digo que Ele certamente irá reivindicá-lo, e quando Ele o faz, Ele o fará rapidamente, e essa geração de homens o verá e o sentirá com terror". No entanto, quando o Filho do Homem, tendo entrado em possessão de seu reino glorioso, No entanto, quando o Filho do Homem tendo entrado em posse de seu reinado glorioso, vindo a aparecer com este importante propósito, você encontrará fé na terra de Israel?" (16)


A RECOMPENSA DOS DISCÍPULOS NA ERA VINDOURA, OU SEJA NA PAROUSIA

Mateus 19:27-29 "Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos? E Jesus disse-lhes: Em verdade vos digo que vós, que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por amor de meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna." 

Marcos 10:28-30 "E Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós tudo deixamos, e te seguimos.
E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho,
Que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna."

Lucas 18:28-30 "E disse Pedro: Eis que nós deixamos tudo e te seguimos.
E ele lhes disse: Na verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou pais, ou irmãos, ou mulher, ou filhos, pelo reino de Deus,
Que não haja de receber muito mais neste mundo, e na idade vindoura a vida eterna."

A que período devemos designar o evento ou estado aqui chamado pelo nosso Senhor de "regeneração"? É evidentemente contemporâneo do "Filho do homem sentado no trono da sua glória". Não pode haver qualquer dúvida de que as duas frases: "O Filho do homem vindo em seu reino" e "O Filho do homem sentado no trono de sua glória", ambas se referem à mesma coisa e ao mesmo tempo . Isto é, é para a Parousia que ambas as expressões apontam.

Temos outra nota de tempo e outro ponto de coincidência entre a "regeneração" e a Parousia, na referência feita por nosso Senhor à "idade ou éon", como o período em que Seus fiéis discípulos receberiam sua recompensa. (Marcos 10:30, Lucas 18:30) Mas a 'idade vindoura' foi, como já vimos, para suceder a era existente ou aeon, isto é, o período da dispensação judaica, o fim do qual nosso Senhor declarou estar próximo. Concluímos, portanto, que a "regeneração", a "idade vindoura" e a "parousia" são virtualmente sinônimos ou, em todo caso, contemporâneas. A vinda do Filho do homem em Seu reino, ou em Sua glória, é distintamente afirmada como uma vinda em julgamento - 'recompensar cada homem de acordo com suas obras; (Mt. 16:27) e o fato de Ele estar sentado no trono de Sua glória, na regeneração, é evidentemente uma sentença de julgamento. Neste julgamento, os apóstolos teriam a honra de serem conselheiros com o Senhor, de acordo com sua declaração (Lucas 22: 29-30). "Eu, portanto, eu te designei um reino, como meu Pai o designou para mim, para que você possa comer e beber em minha mesa no meu reino, e sentar em tronos julgando as doze tribos de Israel". Mas nosso Senhor expressamente afirma que esta vinda gloriosa para julgar ocorreria dentro dos limites da geração que viveu naquele tempo: "Há alguns dos que estão aqui, que não provarão a morte, até que tenham visto o Filho do Homem vindo em seu reino" (Mt 16:28). Não era, portanto, nenhuma esperança longamente adiada e distante que Jesus oferecia aos seus discípulos. Não era uma perspectiva que ainda é vista de longe na obscura perspectiva de um futuro indefinido. Pedro e seus companheiros discípulos estavam plenamente conscientes de que "o reino dos céus" estava próximo. Eles aprenderam isso com seu primeiro professor no deserto; eles tinham sido assegurados por seu Senhor e Mestre; eles haviam passado pela Galileia proclamando a verdade aos seus compatriotas.


Quando o Senhor prometeu, portanto, que nos próximos dias seus apóstolos deveriam sentar-se em tronos, é concebível que Ele pudesse significar que eras e séculos e até mesmo milênios, tiveram que passar lentamente antes que eles pudessem colher as prometidas honras? A herança da “vida eterna” e o “assentar nos doze tronos” ainda estão entre “as coisas que se esperam, mas não são vistas” pelos discípulos? Certamente tal hipótese se refuta. A promessa teria soado como escárnio aos discípulos se tivessem sido informados de que o cumprimento levaria tanto tempo. Por outro lado, se concebermos a "regeneração" como contemporânea a Parousia, e a Parousia, com o fim da era judaica e a destruição da cidade e do templo de Jerusalém, temos um ponto definido de tempo, não muito distante, mas quase à vista dos homens que viviam, quando o predito julgamento dos inimigos de Cristo e a gloriosa recompensa de seus amigos ocorreriam.

SAJAK RINDU (FEBRI SAMAR)

 

SAJAK RINDU 


 Pada segempal kabut senja

Kau menulis rindu

RINDU tentang air mata

Yang kian abad jatuh pada lereng cerita

 

Kau rindu, yang lama

Yang lama, itu

Tentang pelukan dan ciuman

Pada tengah gerimis hujan kota

Kau rindu

 

Kau rindu, yang lama

Yang lama, itu

Tentang tatapan dan ciuman

Saat neblina pinggir kota

Kau rindu

 

Kau rindu, yang lama

Yang lama, itu

Tentang genggaman dan ciuman

Pada kamar taman kota

Kau rindu

 

Kau rindu, yang lama

Yang lama, itu

Tentang malam pada pesta

Di bar samping hotel estrela

Kau rindu

 

Kau tulis rindu

Tentang rindu

Kau rindu

“Aku rindu”


SÃO PAULO 2020, 
KAMAR RINDU

sábado, 4 de julho de 2020

JOÂO BATISTA


João Batista foi o profeta que preparou o caminho para o ministério do Senhor Jesus; o último entre todos que anunciaram a vinda do Messias. Por isso ele é chamado de “arauto do Messias”.

João Batista nasceu em aproximadamente 7 a.C. Ele era filho de um casal idoso de família sacerdotal, Zacarias e Isabel. Sua mãe era parenta de Maria, a mãe de Jesus. O termo empregado em Lucas 1:36 para descrever esse parentesco é suggenes, que significa “da mesma família” ou “parente de sangue”.

Apesar de ser um termo com significado amplo, a maioria dos estudiosos acredita que ambas eram primas. Isso significa que provavelmente João Batista e Jesus eram primos de segundo grau.

O anúncio do nascimento de João Batista

O anúncio do nascimento de João Batista é um dos mais fantásticos registrados nas Escrituras, possuindo até mesmo algumas semelhanças com o anúncio do nascimento de Jesus. Os pais de João Batista eram judeus piedosos e tementes a Deus que aguardavam a vinda do Messias.

Eles não tinham filhos porque Isabel era estéril. Num determinado dia, quando Zacarias estava exercendo suas funções sacerdotais, ele recebeu a visita do anjo Gabriel. O anjo lhe anunciou o nascimento de um filho e indicou o nome pelo qual ele deveria ser chamado, João (Lucas 1:13). O anjo também disse que João Batista seria repleto do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe (Lucas 1:15).

Diante do aparecimento do anjo, Zacarias ficou amedrontado. Depois do anuncio, sua resposta foi de incredulidade (Lucas 1:18). Assim, Zacarias foi sentenciado a ficar em silêncio, isto é, mudo, até que o menino nascesse. Muito provavelmente essa condição de Zacarias consistia não apenas na mudez, mas também na surdez (cf. Lucas 1:62).

Além de tudo isso, quando Maria recebeu a visita de Gabriel para anunciar-lhe o nascimento de Jesus, o anjo também lhe falou sobre a gestação de Isabel (Lucas 1:36). Isso fez com que Maria fosse lhe visitar. Nesse encontro, quando Isabel ouviu a saudação de Maria, João Batista saltou em seu ventre.

O nascimento de João Batista

No tempo oportuno, Isabel deu à luz a João Batista. Na cerimônia de escolha do nome do menino, Zacarias, seu pai, recuperou a voz. Inicialmente as pessoas estavam chamando o menino de Zacarias; mas o nome que deveria ser dado era João. Então de forma sobrenatural, Isabel também anunciou esse mesmo nome, antes que Zacarias o confirmasse escrevendo-o em uma tábua.

Todos esses acontecimentos trouxeram grande temor no povo, de modo que em todas as montanhas da Judéia foram divulgadas as coisas que estavam ocorrendo em conexão com o nascimento de João Batista. Assim, todas as pessoas se perguntavam sobre quem seria aquele menino.

O ministério de João Batista

João Batista cresceu no deserto da Judéia (Lucas 1:80). Em aproximadamente 26 d.C., ele recebeu o chamado para exercer seu ministério profético (Lucas 3:2). Alguns estudiosos tem sugerido que João Batista, durante seus anos de formação, pode ter tido contato com os Essênios. Os Essênios formavam um grupo separatista judaico que observava a Lei com rigor. Esse grupo vivia geralmente em comunidades reclusas no deserto, como os assentamentos descobertos em Qumran.

Seja como for, a verdade é que foi uma experiência espiritual completamente diferente que fez com João Batista desempenhasse sua tarefa especial de “preparar ao Senhor um povo bem disposto” (Lucas 1:17). Dessa forma, certamente ele rompeu com qualquer influência anterior.

Logo que iniciou seu ministério profético, João Batista começou a ser grandemente reconhecido como o pregador do arrependimento. Por isso tão logo um grande número de judeus se reunia para ouvi-lo.

A mensagem de João Batista era dura, mas necessária. Ele se posicionou de forma radical contra as normas judaicas e condenou os fariseus e líderes religiosos da nação como sendo uma “raça de víboras”. Para João Batista, apenas ser descendente de Abraão não bastava; era necessário um recomeço, um arrependimento genuíno. Assim, muitos receberam dele no rio Jordão o batismo do arrependimento, ao confessarem seus pecados.

João Batista convocava um remanescente fiel dentre o povo judeu. Com arrependimento sincero, esse remanescente deveria estar pronto para receber a chegada de Alguém muito maior do que ele próprio.

João Batista anunciava claramente que ele apenas estava servindo de arauto para o Messias que estava às portas. João também avisava que enquanto ele batizava com água, esse Alguém que viria após ele batizaria com Espírito e com fogo. Isso significa que não haveria meio termo, o Messias traria salvação e juízo.

A severidade e urgência da mensagem de João Batista podem ser notadas na sentença: “E também agora está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo” (Mt 3:10).

É claro que essa mensagem estava plenamente de acordo com alguém que havia sido escolhido por Deus para preparar o caminho daquele que, em Sua mão, tem a pá para limpar a eira, separar o trigo no celeiro e queimar a palha com fogo inextinguível (Mateus 3:12). Realmente a mensagem do último profeta antes do Messias não poderia ser diferente.

João exerceu seu ministério no deserto da Judéia, Samaria e Enom, perto de Salim (João 3:23). Provavelmente seu período em atividade teve curta duração, mas foi bastante intenso. Ele passou seus últimos anos na região de Pereia, que pertencia à tetrarquia de Herodes Antipas.

Ele também foi seguido por discípulos fiéis. A eles João Batista ensinava regras práticas e objetivas de caridade, piedade e justiça.

João Batista e o batismo de Jesus

Nosso Senhor Jesus estava entre aqueles que receberam o batismo de João. A Bíblia relata que foi Jesus quem pediu para ser batizado. João Batista até esboçou certa relutância por se considerar indigno de realizar essa tarefa.

Na ocasião do batismo de Jesus, João Batista reconheceu claramente que Ele era aquele que estava sendo anunciado em sua pregação (Mateus 3:13-15). Foi nesse mesmo momento também que, de forma sobrenatural, o Espírito Santo desceu sobre Jesus e ouviu-se uma voz do céu dizendo: “Tu és o meu filho amado; em quem me comprazo” (Marcos 1:10,11).

A personalidade de João Batista

Os Evangelhos fornecem poucas informações pessoais sobre João Batista. Porém, pelo pouco que é dito, podemos presumir que João Batista tinha uma personalidade forte e vigorosa; algo condizente com a própria singularidade da mensagem que proclamava.

João Batista se vestia de uma forma bastante simples. Ele usava vestes feitas de pelos de camelo, e usava um cinto de couro ao redor de seus lombos (Mateus 3:4). O próprio Jesus fez menção ao fato de que João Batista não usava vestes finas (Mateus 11:8).

João também tinha restrições semelhantes aos nazireus, como a proibição de tocar em bebida forte. Isso tem levado muitos estudiosos a entenderem que João Batista era um tipo de nazireu vitalício, ou seja, ele não era nazireu apenas em um período de voto, mas durante a vida toda, assim como Sansão deveria ter sido.

A alimentação de João Batista também seguia essa mesma linha simples. Ele comia mel silvestre e gafanhotos, alimentos estes que poderiam ser encontrados no deserto. Claro que não podemos entender que esses dois itens consistiam em toda dieta do profeta, mas que refletiam e evidenciavam seu modo de vida simples que apresentava um protesto vivo contra tudo o que ele denunciava.

João Batista era Elias?

Essa é uma dúvida que surgiu no tempo de João Batista e que persiste até hoje em algumas pessoas. A verdade é que João Batista não era Elias, e ele próprio esclareceu isso enfaticamente (João 1:21).

No entanto, de forma figurada, ele pode ser identificado como sendo Elias, como o próprio Jesus assim o fez (Mateus 11:13,14; cf. 17:12; Marcos 9:12,13). Isso significa que seu ministério profético e suas ações foram semelhantes ao ministério e as ações do profeta Elias.

Isso fica bastante claro quando comparamos a profecia do profeta Malaquias com o anuncio feito por Gabriel de que ele prepararia o caminho do Messias “no espírito e poder de Elias” (cf. Malaquias 3:1; 4:5; Lucas 1:17).

Assim como Elias, João Batista denunciou o pecado e conclamou o arrependimento. Portanto, o modo característico do ministério profético de Elias seria revelado também no ministério de João Batista.

A morte de João Batista

Em dado momento, parece que João Batista levantou as suspeitas de Herodes Antipas de ser ele o líder de um tipo de movimento popular que poderia ter consequências imprevisíveis, sobretudo políticas.

Aliado a isso, Herodias, esposa de Herodes, ficou particularmente aborrecida com João Batista por ele ter denunciado a ilegalidade de seu casamento com Herodes. Por esse motivo ele acabou sendo aprisionado na fortaleza de Herodes na Transjordânia.

Herodes não estava disposto a matar João Batista. Mas num determinado dia, Herodes Antipas acabou fazendo um juramento à filha de Herodias, e foi obrigado a entregar a cabeça de João Batista como prêmio. Então aproximadamente entre 27 e 29 d.C., João Batista foi decapitado.

A importância de João Batista

João Batista foi muito importante porque seu ministério marcou o início do tempo do cumprimento das promessas que Deus havia feito a Israel no Antigo Testamento. Essas promessas falavam sobre a vinda de seu reino e a chegada do Messias. Com base nesse entendimento, podemos destacar os seguintes pontos:

  • O próprio João Batista é o cumprimento de profecias feitas ainda no Antigo Testamento. Desse modo os profetas Isaías e Malaquias falaram sobre ele (Isaías 40:3; Malaquias 3:1; 4:5). O próprio Jesus declarou que ele era o profeta que havia sido prometido (Marcos 9:13; Mateus 11:14).
  • Seu ministério, como sendo o último profeta, concluiu a responsabilidade da revelação divina sob a antiga ordem. Isso fica claro nas palavras de Jesus: “A Lei e os profetas duraram até João; desde então, é anunciado o Reino de Deus” (Lucas 16:16).
  • De forma muito semelhante a Moisés que apenas avistou a Terra Prometida, João também foi um arauto que permaneceu no limiar de um novo tempo; o tempo da chegada do Reino de Deus. Ele avistou de forma muito próxima, porém não participou dessa nova era em vida. Sua prisão serviu de sinal para o início do ministério de Jesus na Galiléia (Marcos 1:14).
  • Os próprios apóstolos faziam referência sobre a veracidade e importância do ministério de João Batista. Isso aconteceu, por exemplo, na pregação de Paulo em Antioquia (Atos 13:24ss; cf. Atos 10:37).
  • Depois dos apóstolos, João Batista foi a pessoa mais importante que testemunhou o ministério de Jesus. Nesse sentido ele desfrutou de um privilégio que nenhum outro profeta do Antigo Testamento alcançou.
  • João Batista serviu de referencial para o ministério do próprio Cristo, no sentido de que ele veio para ser o precursor imediato do ministério do Filho de Deus, e refletindo no fato de que a grandeza de João serve como parâmetro para se perceber a grandeza de Cristo nas Escrituras. Sua vida foi um sinal vivo de que Jesus era o Messias prometido. Portanto, se aquele que foi o predecessor de Jesus, era o maior entre os homens, fica claro a importância indescritível daquele a quem João anunciava.
  • A Bíblia não registra nenhum milagre feito por João Batista. Todavia, Jesus testificou que não houve ninguém nascido de mulher maior do que ele, colocando-o como o último e mais importante dos profetas da Antiga Aliança (Lucas 7:24-28; 16:16). Aqui entendemos que não são os sinais e prodígios que fazem com que alguém seja notável, mas, sim, o desempenho da tarefa lhe foi designada por Deus. Jesus declarou isso sobre João Batista justamente porque ele foi destinado a preparar o caminho para o Messias.
  • Jesus também falou que, apesar de ser o maior nascido de mulher, o menor no Reino de Deus seria maior do que João Batista. Com isso Jesus estava se referindo ao fato de que João estava sendo privado de participar de forma intima de Seu ministério que estava acontecendo enquanto ele amargava um aprisionamento. Além do mais, ele não presenciaria o sacrifício no Calvário, nem a ressurreição, ou mesmo experimentaria o Pentecostes. Assim, o menor do Reino era maior do que João Batista no sentido de ser mais altamente privilegiado por poder presenciar ou viver após o acontecimento de tais coisas.
  • Foi João Batista que teve a honra de contemplar o Cristo e dizer as importantes palavras: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (João 1:29).
  • João Batista compreendeu muito bem sua missão. Mesmo durante o tempo em que seu ministério foi simultâneo ao de Cristo, ele, como um bom arauto, permaneceu em segundo plano diante da presença do Rei que havia chegado (cf. João 3:22ss). Em momento algum João Batista tentou atrair a atenção para si mesmo. Sobre isso, ele mesmo disse: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (João 3:30).

Certamente quando meditamos sobre quem foi João Batista, ficamos perdidamente maravilhados com a forma com que Deus conduz a História. Ele escolhe aqueles que são Seus e cumpre Suas promessas nos mínimos detalhes.

ENGKAU ADALAH TAKDIR KU (FEBRI SAMAR DAN COVID 19 2020)



TUHANKU,  ADALAH TAKDIR SAYA
AKU BERJALAN DENGAN MU DI AIR, DI BUMI DAN DI UDARA
AKU TIDAK MERASA TAKUT, KARENA AKU TAHU KEHADIRAN MU
SEPERTI  TANGAN MU MEMBUAT AKU VOAR

TUHANKU, ADALAH TAKDIR SAYA
PADA  JALAN MU AKU MENEMUKAN KEDAMAIAN DAN CINTA
 KEGEMBIRAAN HIDUP, TERSENYUM DAN BERNYANYI
MELUPAKAN SEMUA DUNIA YANG SAKIT

TUHANKU,  ADALAH TAKDIR SAYA
 HIDUPKU ,  LEMBUT  EMOSI
MEMBUAT DENGAN SIAPA SEMUA DOA-DOA
SPROUT DENGAN BUNGA DARI HATIKU

TUHANKU,  ADALAH TAKDIR SAYA
DOAKU YANG MEMBUAT  CINTA BEGITU DEKAT DENGAN MU
KATA-KATA MU MEMBUAT AKU JATUH CINTA
PADA LENGANMU, AKU BELAJAR UNTUK BERISTIRAHAT


COVID 19
SÃO PAULO-JOÃO XXIII 2020
FEBRI SAMAR

TITIK CAHAYA (DALAM cOVID 19- SÃO PAULO FEBRI SAMAR)


Tuhan, EMAS kerinduanKU
Aku berlari pada trotoar dimana kami berjalan
Aku mencari batu untuk tanda jejak kaki Mu
dalam ketidakcocokan saya, saya tidak menemukan Mu


Amazement kenangan, Tuhan.
mencari Mu pada toko buku bacaan kami
mengintip ke dalam buku renungan publikasi
dalam resital saya, saya tidak menemukan Mu

terpesona dengan kenangan, Tuhan
Saya merenungpada waktu kita  berziarah 
Aku mencari altar untuk refleksi kehadiran Mu
dalam keinginan saya, saya belum menemukan Mu

Tuhan, saya menghentikan langkah saya, suara saya dan doa saya, hening
Saya sedih dan bahagia
Tuhan, saya telah menembus saya sendiri, dalam hatiku aku telah mencari Mu
dalam jiwaku, Tuhan, bahwa aku menemukan Mu
Engkaulah, Tuhan, titik cahaya dalam cerita saya


poema 2020
covid 19
são paulo 
febri samar

TUHANKU adalah tuhanku (By FEBRIANU SAMAR)

TUHANKU adalah tuhanku
aku selalu memunji nYa
menyanyikan kemuliaan nYa adalah hidupku
jalan hidupku adalah dibangun untuk mencintai nYa

TUHANKU adalah tuhanku
aku selalu menyanyikan kidung dari canticos untuk nYa
puisi-puisi yang lahir dari jiwa malam, tak ada ujung
dengan penuh kelembutan aku menyambut nYa setiap pagi

TUHANKUadalah tuhanku
sumber air jernih yang baik dan bahagia
dia yang mengubah tanah kerdil mejadi tanah yang subur
dia yang mengirim doaku e jiwaku kepada kekekalan

TUHANKU adalah tuhanku
kata-kata bijak yang membawa sejuta senyum
dengan tangan nYa yang kuasa memberkati tubuhku tang rapuh
menyinari aku dengan sukacita abadi e menjadikan aku hidup


febri samar
kamar Codiv 19
São Paulo Brazil 2020



O discipulado no Evangelho de Marcos

1 INTRODUÇÃO

A motivação que perpassa e orienta todo o Segundo Evangelho é o desejo de responder a pergunta pela identidade de Jesus, simultaneamente ocultada e desvelada pelo segredo messiânico. O fundamento último deste anseio não é meramente teórico ou doutrinal, mas trata-se da procura existencial de uma resposta, que só pode ser alcançada no convívio com Jesus e que, uma vez achada, possui a potencialidade de mudar a vida de modo radical. O espaço teológico dessa experiência é o caminho, no qual a pessoa se encontra com Jesus e é chamada ao seguimento. Este, por sua vez, exige renúncia e confiança, pois, uma vez iniciado, Jesus faz questão de ir sempre na frente. Aliás, o caminho conduz à Jerusalém, onde aguarda a cruz, que é, não somente o destino do Senhor, mas também o do discípulo e, portanto, o da Igreja. Nessa lógica, o caminho supõe optar por Jesus, clarificar as implicâncias dessa opção, fazer experiência da crise e, eventualmente, reoptar pelo seguimento – desta vez com maior consciência.(BOMBONATTO, 2002, p. 51-57).

Tendo apresentado o Evangelho de Marcos nas suas linhas mestras e depois de aprofundarmos a sua concepção messiânica, estamos em condições de mergulhar, nesta terceira parte, na visão marcana do discipulado. Duas perguntas orientarão a nossa reflexão: O que é ser discípulo para Marcos? Que tipo de relação existe entre a concepção messiânica de Marcos e seu modo de compreender o discipulado? Ressaltamos que esta última pergunta exprime a tese central do nosso trabalho: não é possível entender o discipulado em Marcos sem uma prévia e adequada percepção da sua concepção messiânica.

2 SEGUIR JESUS NO CAMINHO

            Para Marcos, ser discípulo é, fundamentalmente, seguir Jesus no caminho. Isso explica por que, na seção dedicada ao discipulado (cf. Mc 8,22–10,52), o verbo “seguir” é predominante (cf. Mc 8,34; 10,21.28.32.52), assim como também o substantivo “caminho”, que é o itinerário existencial onde o discipulado acontece (cf. Mc 8,27; 9,33.34; 10,32.46.52).(SMITH, 1996, p. 527).

Sendo a essência do discipulado, o seguimento é a proposta básica de Jesus nos relatos de chamamento: “Segue-me” (cf. Mc 1,17-18.20; 2,14; 10,21). Essa proposta inicial é posteriormente qualificada por Marcos: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me!” (Mc 8, 34). O discípulo, de fato, segue Jesus num caminho específico: aquele que leva à Jerusalém, onde o Filho do Homem será entregue.(TERRA, 1997, p. 22).

Entretanto, na intimidade do caminho, no convívio quotidiano, Jesus se dá a conhecer à comunidade dos seguidores. Por isso, o caminho é o espaço da grande pergunta marcana: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mc 8,27). Ela conduz às respostas basilares onde a identidade de Jesus é desvendada (cf. Mc 8,29; 15,39). Mas não somente Jesus se revela no caminho, pois também os discípulos se dão a conhecer no seguimento do Mestre. De fato, Marcos não se propõe apenas a desvelar o mistério de Jesus Cristo, Filho de Deus (cf. Mc 1,1), mas quer que, simultaneamente, o discípulo descubra seus medos, suas incompreensões, suas fragilidades, suas contradições e suas resistências diante de uma proposta que lhe questiona e desinstala (cf. Mc 8,32-33; 9,33-34; 10,35-40). (BOMBONATTO, 2002, p. 51-57).

3 ATRÁS DOS PASSOS SEUS

Seguir Jesus no caminho supõe deixar-se conduzir por ele, depor a lógica e a perspectiva dos homens e acolher a lógica e a perspectiva de Deus (cf. Mc 8,33). Para os homens, isso pode parecer impossível (cf. Mc 10,27) e até absurdo, uma lógica sem lógica, mas, a rigor da verdade, para Marcos, trata-se da única lógica possível, a lógica dos paradoxos: “Quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder sua vida por causa de mim e do evangelho, a salvará” (Mc 8,35); “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos, aquele que serve a todos!” (Mc 9,35).

Marcos traduz essa atitude fundamental de confiança e abandono numa posição específica que o discípulo deve assumir em relação ao Mestre, pois, para seguir efetivamente a Jesus, o discípulo deve colocar-se – invariavelmente – atrás dele. Isso é, deve: assumir os critérios do Reino, perseverar na fé, renunciar a si próprio, confrontar-se com o rosto do Servo Sofredor, declinar a dinâmica dos homens e mergulhar-se na dinâmica de Deus.

Não é por acaso que a mulher com hemorragia se aproxima de Jesus “por detrás” (Mc 5,27) visando tocar seu manto. Implicitamente, essa é também a posição do cego de Jericó, que uma vez curado “foi seguindo Jesus pelo caminho” (Mc 10,52). O mesmo pode-se dizer dos discípulos subindo para Jerusalém, em meio às incertezas do caminho: “Jesus ia à frente, e eles, assombrados, seguiam com medo” (Mc 10,32).

O seguidor de Jesus experimenta, no entanto, a frequente tentação de sair da posição de discípulo e se pôr em pé de igualdade com o Mestre, ou até na frente dele. O evangelista, porém, nos mostra que, justamente nesse deslocamento de posições, o seguidor deixa de ser tal. Assim, o discípulo que passou à frente ou se colocou ao lado de Jesus terá que voltar para trás. Eis, pois, o motivo da reprimenda de Jesus a Pedro: “Vai para trás de mim, satanás!” (Mc 8,33)[1]. Se Pedro quer continuar no caminho, deve voltar para o lugar do discípulo, ou seja, atrás do Mestre.

4 OS “DE DENTRO” E OS “DE FORA”: UMA DISTINÇÃO NÃO TÃO ABSOLUTA

Já foi apontado que, para Marcos, a atitude assumida diante do evangelho define o ser “de dentro” ou “de fora” (cf. Mc 3,31). (MARTÍNEZ; CARMO, 2014, p. 52).

Os “de dentro” são os “com Jesus”, ou seja, seu círculo íntimo, aqueles que, sentindo-se interpelados por ele e desejosos de conhecê-lo, colocam-se a caminho e o seguem. Para isso, sentir-se admirado, incomodado ou desconcertado por sua pessoa, suas ações ou seu ensinamento pode ser o passo inicial. Tais sentimentos ou moções podem, de fato, suscitar o desejo de ir atrás de Jesus à procura de uma maior compreensão.

Em contraste com o grupo anterior, os “de fora” são aqueles incapazes de aceitar a Boa Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus. São “de fora”, não literalmente, mas no sentido de não estarem iniciados no mistério cristão da salvação. Nessa condição se situam: os adversários de Jesus, aos quais se dedicam numerosos relatos de controvérsias (cf. Mc 2,6-12.15-17.18-22; 3,1-6;6,1-6; 7,1-13; 8,11-13; 10,1-12; 12,1-12.18-27.35-40); os próprios parentes de Jesus (cf. Mc 3,20-35) e a multidão, uma massa indiferenciada de pessoas que Jesus atrai, evita ou procura. (ANTONIAZZI, 1989, p. 38).

Contudo, a distinção entre os de dentro e os de fora não é absoluta. Em primeiro lugar, porque os discípulos podem provir da multidão que, enquanto tal, integra a categoria dos “de fora”. Dito de outro modo, embora os discípulos não sejam uma parte da multidão, mas um grupo diferenciado, frequentemente são tirados dela. (BEST, 1977, p. 392). Por outro lado, apesar das instruções que os discípulos recebem em particular e embora lhes seja confiado o mistério do Reino de Deus (cf. Mc 4,11), eles não dão conta de compreender o que Jesus faz ou diz (cf. Mc 4,13; 6,52; 7,18; 8,17; 9,32), assumem com frequência as atitudes do antirreino (cf. Mc 8,32; 9,33-41; 10,35-40) e abandonam o Mestre na paixão (cf. Mc 14,50). Os “de fora”, pelo contrário, em algumas ocasiões surpreendem por sua capacidade de acolher o Reino. Uma vez ou outra, Marcos inverte os papeis, de modo que os “de dentro” fiquem fora (como Pedro no primeiro anúncio da paixão – cf. Mc 8,32), e os “de fora” fiquem dentro (como Bartimeu, que, uma vez curado da sua cegueira, segue Jesus decididamente pelo caminho – cf. Mc 10,52). (SMITH, 1996, p. 527).

5 DISCIPULADO, INCOMPREENSÃO E CEGUEIRA

Como já foi dito, o Segundo Evangelista insiste na incompreensão dos interlocutores de Jesus, o que constitui um desdobramento do segredo messiânico.(MARTÍNEZ; CARMO, 2015). Este, de fato, encontra sua razão de ser na incapacidade, tanto dos “de dentro” quanto dos “de fora”, para compreender o messianismo diferente que lhes é apresentado. Tal incompreensão só poderá ser superada após a ressurreição do Filho do Homem, momento no qual o segredo desaparece (cf. Mc 9,9). Os próprios seguidores, embora sejam feitos partícipes do conteúdo do segredo (Mc 4,11), não dão conta de enxergá-lo. A cegueira caracteriza assim a situação dos discípulos pré-pascais e, de certo modo, da comunidade de Marcos que, à medida que resiste à cruz, exclui a si mesma da experiência pascal.

Marcos expressa esse estado de incompreensão construindo uma grande inclusão, que se abre na cura do cego de Betsaida (cf. Mc 8,22-26) e se encerra na cura do cego de Jericó (cf. Mc 10,46-52), delimitando assim a seção sobre o discipulado (cf. Mc 8,22–10,52). A primeira cura, localizada imediatamente antes da profissão de Pedro (cf. Mc 8,27-30) e realizada em duas etapas, após uma cura parcial (“estou vendo as pessoas como se fossem árvores andando” – Mc 8,24), parece introduzir uma confissão de fé válida, mas ainda necessitada de esclarecimento ulterior (“e começou a ensinar-lhes que era necessário o Filho do Homem sofrer muito” – Mc 8,31). (TERRA, 1997, p. 12). Aliás, a perícope encontra-se precedida pela censura aos discípulos presente em Mc 8,18 (“tendo olhos, não enxergais, e tendo ouvidos, não ouvis?” – cf. Jr 5,21), o que reforça a ideia de que o relato aponta para o grupo de seguidores (incluída a Igreja de Marcos). (TILLESSE, 1992, p. 122). Por sua vez, a segunda cura sugere, na figura de Bartimeu, que a incapacidade dos discípulos perdura nas proximidades de Jerusalém, pois, antes de fazerem a experiência da ressurreição – única que pode abrir os olhos definitivamente –, devem passar pela paixão e pela cruz.

6 PREDIÇÕES DA PAIXÃO: CONSEQUÊNCIAS PARA A COMUNIDADE

Se no esquema bipartido de Marcos a profissão de fé petrina constitui o começo da segunda parte, as subsequentes predições da paixão significam, para o grupo de discípulos, um verdadeiro recomeçar. A comunidade deverá confrontar-se com a necessidade da paixão e, diante da crise que isso provoca, deverá tomar uma nova decisão: desistir ou reoptar pelo seguimento, mas, desta vez, de maneira mais consciente e madura que no princípio. (GNILKA, 1986, v. 2, p. 9). Para que isso aconteça, o evangelista coloca um tríplice anúncio da paixão, evidenciando, em cada ocasião, não somente a natureza do messianismo de Jesus, mas também as incongruências da comunidade[2] e o caráter processual do seguimento. Ora, uma vez explicitado o destino do Filho do Homem, o evangelista exprime suas consequências para o grupo de seguidores. As consequências da opção pelo Mestre aparecem imediatamente depois da primeira predição da paixão (cf. Mc 8,34-38), projetando-se o influxo desse ensinamento sobre as duas predições restantes.

Primeira predição da paixão – Seguimento e renúncia (cf. Mc 8,31-38). Diferentemente da profissão de Pedro, que recebeordem de silêncio no âmbito do segredo messiânico, o primeiro anúncio da paixão – imediatamente posterior – é realizado “abertamente” (Mc 8,32). O evangelista faz questão de situar a cena “no caminho” (Mc 8,27), âmbito próprio do seguimento. A reação de Pedro, porta-voz dos discípulos, é de contundente rejeição, o que evidencia a resistência do grupo (e da Igreja de Marcos) perante a cruz. A resposta de Jesus é igualmente contundente: quem se opõe à dinâmica do sofrimento assume o papel de Satanás, o opositor por excelência, e está fora do caminho. Por isso, Pedro, que sendo seguidor de Jesus parece pretender agora ser seguido por ele, deve retomar o caminho se quer continuar o discipulado. (MATEOS; CAMACHO, 1994,p. 168). Aliás, mediante a dura exortação de Mc 8,33, “Vai para trás de mim, satanás!”, é renovado o chamamento de Mc 1,17, “Segui-me”.

Reiterado o convite ao seguimento, Jesus explicita logo as consequências do discipulado: participar do seu destino messiânico (cf. Mc 8,34-38). Sem preâmbulos e sem se preocupar com a repercussão do discurso, Marcos coloca às claras as exigências da opção pelo Mestre. Quem quiser continuar – ou iniciar – o caminho de Jesus deve saber que a renúncia de si mesmo e a acolhida da cruz são requisitos sinequa non – portanto, inegociáveis – do seguimento. Livre frente a si mesmo e a seus interesses, o discípulo precisará integrar a dinâmica do Servo. Como Jesus, deverá abraçar a rejeição social e a possibilidade extrema e atual do martírio. E, em consequência, descobrirá que a vida plena e a autêntica realização pessoal somente se alcançam na fidelidade a Cristo, frente à qual empalidecem todos os bens e as promessas que o mundo pode oferecer (cf. Mc 8,34-38). (BARBAGLIO, 1990, v. 1, p. 515-518).

Segunda predição da paixão – Quem é o maior? (cf. Mc 9,30-37). Salientando a incompreensão dos discípulos diante do segundo anúncio – em essência, igual ao anterior –, Marcos coloca uma cena particularmente reveladora da distância abismal entre o que está sendo comunicado e a atitude da comunidade: os discípulos continuam presos aos esquemas hierárquicos judeus e discutem “pelo caminho” (Mc 9,33) quem é o maior. A questão afeta diretamente o relacionamento recíproco entre os discípulos e assume, portanto, proporções comunitárias. Como no primeiro anúncio da paixão, mais uma vez, fica em evidência a dificuldade do grupo para aceitar a dinâmica do Reino.

Sentando-se solenemente – posição correspondente a de um Mestre, sempre pronto a ensinar –, Jesus inverte a perspectiva: “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos, aquele que serve a todos!” (Mc 9,35). Em seguida, chama uma criança – pouco valorizada no mundo antigo e à margem da Torá –, coloca-a no meio deles, abraça-a e se identifica com ela: “Quem acolhe em meu nome uma destas crianças, a mim acolhe” (Mc 9,37a)[3]. E, em última instância, identifica-a com o próprio Deus: “quem me acolhe, acolhe, não a mim, mas Àquele que me enviou” (Mc 9,37b). Portanto, a comunidade deve abrir-se aos mais desfavorecidos e ser para eles um espaço de acolhida amorosa, serviço e participação. Novamente, os Doze são confrontados com a lógica paradoxal de Deus: “Quem quiser salvar sua vida a perderá; mas quem perder sua vida por causa de mim e do evangelho, a salvará” (Mc 8, 35).

Terceira predição da paixão – Os primeiros lugares (cf. Mc 10,32-45). Como nos dois anúncios anteriores, também o terceiro é colocado sob o motivo do caminho ou, mais precisamente, do caminho que leva à Jerusalém (cf. Mc 10,32). Aliás, Marcos deixa claro que Jesus caminha na frente e os discípulos atrás. Para Marcos – reiteramos – o caminho com o mestre à frente é a imagem do discipulado; ser discípulo significa ir atrás dos passos de Jesus no caminho para a cruz. (GNILKA,1986, v. 2, p. 113). Contudo, a perícope seguinte (cf. Mc 10,35-45) evidencia que, embora sigam os passos do Mestre, o seguimento ainda é marcado pela inconsistência. De fato, nas proximidades da Cidade Santa, a incongruência dos discípulos parece aumentar. Num contraste chocante com o que acaba de ser anunciado, os filhos de Zebedeu pedem para eles os primeiros lugares. Os outros discípulos não são melhores; reagem com ira diante da perspectiva de que tal honra lhes seja arrebatada.

Em seguida, Jesus contrapõe as imagens do servo e do escravo como modelos a serem seguidos pela nova comunidade. (BARBAGLIO, 1990, v. 1, p. 536-539). Esta não deve orientar-se pelos critérios dos poderosos, mas pelo exemplo do Filho do Homem, que veio para servir e dar a vida (cf. Mc 10,42-45).

7 DESTINO MESSIÂNICO E DESTINO ECLESIAL: AS CONSEQUÊNCIAS DA PAIXÃO NO DISCURSO ESCATOLÓGICO

Imediatamente antes do relato da paixão (cf. Mc 14–15), Marcos coloca o segundo grande discurso da sua obra[4], ao qual dedica todo o capítulo 13. Apresentado como ensinamento particular a um grupo seleto de discípulos (Pedro, Tiago, João e André[5]), o discurso participa das principais características da apocalíptica judaica, ganhando entre os exegetas o nome de “discurso escatológico”. Fiel à tradição apocalíptica, o capítulo revela em termos de futuro o que, na verdade, já tinha acontecido ou estava acontecendo no momento em que o Evangelho foi escrito: o fim do Templo, a destruição da Cidade Santa e a perseguição dos cristãos. Diante de tais circunstâncias, a comunidade é animada e exortada a vigiar e perseverar, já que a esperança na ressurreição final não pode ser desvinculada da morte do Filho do Homem.(BRITO, não publicado).

A localização do discurso é especialmente significativa, pois, inserindo-o às portas da paixão, Marcos está indicando mais uma vez que esse – e não outro – é o destino do seguidor. O tríplice anúncio da paixão adquire assim um significado decisivo e atual para os discípulos. Em outras palavras, assim como a morte do Batista prefigura o destino do messias, também a morte de Jesus antecipa o destino da comunidade. O evangelista faz questão de anunciar essa máxima antes de relatar a paixão de Jesus.(TILLESSE, 1990, p. 80-81).

8 MISSÃO E MARTÍRIO

Já dissemos que à pergunta pelo tipo de messianismo assumido por Jesus, Marcos responde com o tríplice anúncio da paixão, estrategicamente inserido na segunda parte de seu Evangelho, após a profissão de fé de Pedro. Indicamos também que, como o discípulo é essencialmente um seguidor do Crucificado, ambos partilham o mesmo caminho e desenlace, o que o evangelista plasma simbolicamente no discurso apocalíptico (cf. Mc 13). Aliás, a contundente alocução com que Marcos inicia a seção sobre o discipulado não deixa espaço para ambiguidades: “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me!” (Mc 8,34).

Ora, tal associação entre discipulado e paixão – característica da segunda parte do Evangelho –, foi comunicada antecipadamente pela narração do martírio de João Batista, localizada na primeira parte do Evangelho (cf. Mc 6,14-29), num relato em forma de sanduíche literário que se encontra justamente entre o envio (cf. Mc 6,6b-13) e o retorno (cf. Mc 6,30) dos Doze.(EDWARDS, 1989, p. 193-216).O relato oferece uma sutil vinculação entre a missão, que é uma dimensão constitutiva do discipulado (cf. Mc 1,17; 5,19-20; 16,7), e o martírio.(AZEVEDO, 1989, p. 26).

Pode-se descobrir mais de um sentido no relato do martírio de João. Sem dúvida, o mais evidente é o paralelismo entre a morte do Batista e a morte de Jesus. Marcos mostra que, sendo João o precursor da mensagem e do ministério de Jesus, também o é da sua morte. Com essa finalidade, o evangelista faz diversas pontes entre o martírio de João e a crucifixão de Jesus, reforçando assim a vinculação entre eles: João é justo e padece uma morte iníqua; Jesus é o arquétipo do justo sofredor. Herodes, que manda matar João, assim como Pilatos, que manda matar Jesus, trabalha para o Império Romano; além de ambos se apresentarem pusilânimes diante da pressão social e, por isso, condenam à morte um inocente. (EDWARDS, 1989, p. 205-206).

Certamente, todos esses matizes foram intencionalmente incorporados por Marcos ao relatar o martírio de João Batista. Mesmo assim, isso não explica o motivo pelo qual o Segundo Evangelista inseriu a narrativa como um parêntese entre o envio (cf. Mc 6,6b-13) e o retorno (cf. Mc 6,30) dos Doze. Parece que Marcos via uma relação estreita entre a missão e o martírio e, consequentemente, entre o discipulado e a morte. Desse modo, indica-se ao leitor que o martírio do Batista não somente prefigura a morte de Jesus, mas também prefigura o destino do discípulo-missionário, pois, se a missão é uma prolongação da ação do Mestre (cf. Mc 3,14-15; 6,7), assim também o martírio de quem anuncia a Boa Nova é uma prolongação da morte dele[6]. (EDWARDS, 1989, p.205-206).

9 O CAMINHO CONTINUA – E RECOMEÇA – NA GALILEIA

Como antecipamos ao tratar da estrutura do Segundo Evangelho (MARTÍNEZ; CARMO, 2014, p. 52-54), o texto redigido por Marcos termina na cena do sepulcro vazio (cf. Mc 16,8), que inclui o anúncio do jovem resplandecente às mulheres, o mandato de transmiti-lo aos discípulos e a Pedro e o subsequente silêncio daquelas[7]. Mas alguém – certamente sem compreender plenamente a teologia marcana – julgou inacabado ou pouco satisfatório esse final, acrescentando um sumário – também canônico – que sintetiza as narrativas de aparições tiradas dos outros Evangelhos (cf. Mc 16,9-20). Em todo caso, a perplexidade diante de um final tão sucinto e despojado parece compreensível e, por que não, desejada pelo próprio evangelista.

Para Marcos, o leitor deve conformar-se, pelo menos provisoriamente, com o anúncio do jovem: “Procurais Jesus, o nazareno, aquele que foi crucificado? Ressuscitou! Não está aqui!” (Mc 16,6). Nem aparições do Ressuscitado nem discípulos proclamando a fé pascal; só a promessa de um encontro futuro na Galileia (cf. Mc 16,7), eco de Mc 14,28. A concepção marcana do discipulado é levada assim até as últimas consequências: quem quiser encontrar-se com o Ressuscitado deve voltar à Galileia – onde tudo começou e onde Jesus aguarda para reconstituir o rebanho disperso (cf. Mc 14,27) –; deve percorrer, atrás do Mestre, seguindo os passos dele, o caminho que leva à Jerusalém; deve acompanhá-lo, como as mulheres, ao pé da cruz; deve confessá-lo, como o centurião no momento de máxima humilhação, e deve também, como as mulheres, adentrar-se no sepulcro vazio. (KONINGS, 1994, p. 66).Para aqueles que já iniciaram o caminho, o retorno à Galileia é como um novo começo, pois o discípulo nunca está pronto; ele deve sempre recomeçar. Para aqueles que ainda não o iniciaram, é como se Marcos, ainda que visando transmitir a fé pascal, somente achasse possível conduzi-los até a periferia da fé, pois nada – nem mesmo o relato evangélico – pode suprir a experiência personalíssima do encontro com o Ressuscitado.(GNILKA, 1986, v. 2, p. 403).

10 CONCLUSÃO

Para saber quem é Jesus, é preciso segui-lo no caminho – andando sempreatrás     dele –, pois, nessa partilha de vida que o caminho suscita, o Mestre se revela, se dá a conhecer. Mas não é só Jesus que se revela no caminho, pois também os discípulos se revelam nesse trajeto, exibindo seus limites e mazelas.

Vimos que a atitude adotada diante da inesperada proposta de Jesus determina o ser “de dentro” ou “de fora”. Contudo, essa distinção não é tão absoluta, pois, com frequência, Marcos inverte os papeis, de modo que os “de dentro” fiquem fora” e os “de fora” fiquem dentro.

            Como observamos, o seguidor deve assumir que, realizando o mesmo itinerário de Jesus e dando continuidade à sua missão, partilhará também – se não desistir – seu destino de cruz. Esse é o princípio basilar do discipulado segundo Marcos, que fundamenta e abraça as dimensões restantes. A renúncia de si mesmo (cf. Mc 8,34), a atitude despojada perante as honras do mundo (cf. Mc 9,35) e o serviço oblativo (cf. Mc 10,43-45) não são mais do que simples concretizações daquele princípio fundamental.

            Recordamos, por fim, o significado profundo do final redigido por Marcos (cf. Mc 16,8). O anúncio do jovem: “Ele vai à vossa frente para a Galileia. Lá o vereis, como ele vos disse!” exprime a concepção marcana do discipulado, pois o caminho, que nunca termina definitivamente, recomeça na Galileia. Lá o Ressuscitado está à espera daqueles que desejam segui-lo.

11 CONSIDERAÇÕES FINAIS

            Começamos nossa pesquisa postulando sinteticamente a tese central da qual partimos: no Segundo Evangelho, o seguimento de Jesus – o discipulado – está intrinsecamente relacionado com o tipo de messias que o evangelista compreende que Jesus é (MARTÍNEZ;CARMO,2014, p. 47-48). Em outras palavras, para Marcos, uma adequada percepção do messianismo assumido por Jesus não é tão somente uma exigência cristológica, mas é também condição essencial para uma adequada compreensão do discipulado. Demonstrar – ou eventualmente descartar – essa intuição inicial foi o propósito subjacente aos três artigos publicados. Alcançado o final da nossa pesquisa, damos por confirmado que, entre a concepção de Marcos sobre o discipulado e seu modo de entender o autêntico messianismo, existe uma relação de dependência direta, de modo que não é possível enxergar apropriadamente o primeiro, sem antes esclarecer o segundo. Assim, o discípulo que quiser completar o itinerário proposto por Jesus – e por Marcos –, deverá antes, ou melhor, concomitantemente ao percurso do caminho, esclarecer a natureza do seu messianismo.

Concluímos este trabalho realçando a relevância do Evangelho de Marcos hoje. Há quase dois milênios de sua escrita, mediados por inúmeras e radicais mudanças histórico-culturais, ressoa ainda em nossos corações o Evangelho de Jesus que Marcos anunciou. Ainda que o Jesus apresentado por Marcos não seja o messias esperado por uma imensidão de cristãos – que desejariam que ele fosse um Deus miraculoso, sempre a nosso serviço – ele é, com certeza, a Boa-Nova do Pai que o mundo precisa conhecer e que nós cristãos devemos anunciar.

No mundo contemporâneo, onde a Boa-Nova de Jesus tornou-se desconhecida inclusive para os batizados, é urgente redescobrir a pessoa e a proposta de Jesus. Aliás, é fundamental aproveitar a oportunidade única que nos concede o processo de secularização para propor a experiência de Jesus Cristo e suscitar uma resposta verdadeiramente pessoal, já não mais dependente do ambiente de cristandade, próprio dos séculos passados. No novo contexto, a exigência da adesão pessoal à fé cristã ganha destaque, e a proposta de Marcos     – com sua pergunta central, “Quem é Jesus?” – encontra ainda mais pertinência. Para saber quem é Jesus, é preciso caminhar com ele, deixar-se impregnar por seu Evangelho e entrar na dinâmica de seu seguimento. Para conhecê-lo, é preciso fazer a experiência de sua presença no caminho.

            Em tempos de pós-modernidade, que tanto valoriza a subjetividade, devemos insistir na vigência do Segundo Evangelho. Percebemos que hoje o ser humano encontra-se cada vez mais ávido de novas experiências que o afirmem no caminho de sua subjetividade. Marcos, que propõe o Evangelho como força pra viver, tem muito a contribuir, nesta tarefa, com seu modelo de discipulado. Para ele, o discipulado não é processo de doutrinação nem de aprendizado, mas o seguimento de uma pessoa concreta, Jesus de Nazaré, morto e ressuscitado, do qual se faz experiência no convívio quotidiano(Documento de Aparecida, 12; Sacrosanctum Concilium, 1).

Encerrando nossa reflexão, destacamos a profunda comunhão existente entre a compreensão marcana da fé em Jesus e a percepção que os homens e as mulheres de hoje possuem da própria existência. Esta é, cada vez mais, sentida como devir fluído e dinâmico, como processo nunca fechado e sempre inconcluso, como compromisso que não se dá uma vez para sempre, mas que, para perdurar, precisa ser renovado incessantemente. Assim também é a fé para Marcos. Ela nunca é um ponto de chegada, que possa ser conquistada de modo definitivo, mas um constante ponto de partida, uma “eterna iniciante”, um permanente recomeçar. (VILLEPELET apud CARMO, 2013, p. 201-202). À luz desta compreensão dinâmica da fé – e do discipulado –, as palavras ditas a Pedro no caminho de Cesareia, “vai para trás de mim” (Mc 8,33), ganham, no sepulcro vazio, um novo significado: “Ele vai à vossa frente para a Galileia. Lá o vereis, como ele vos disse!” (Mc 16,7)… É preciso recomeçar!

REFERÊNCIAS

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[1] Anotamos que Jesus não manda Pedro para longe de si, o que seria contrário à teologia de Marcos, mas o exorta a retomar a posição própria do discípulo. Daí a expressão: “Vai para trás de mim, satanás” (Mc 8,33). Consequentemente, a difundida tradução, “afasta-te de mim, satanás!”, deve ser corrigida, pois não se trata de afastar o discípulo – muito menos de um relato de exorcismo –, mas de recolocar Pedro no lugar que, enquanto seguidor, lhe corresponde:atrás do Mestre.

[2] Por trás da comunidade retratada no Evangelho, pode se imaginar a comunidade marcana, com suas próprias contradições e resistências.

[3] Cf. também o relato paralelo de Mc 10,13-16.

[4] Sendo o primeiro o das parábolas, no capítulo 4.

[5] Os quatro chamados em primeiro lugar (cf. Mc 1,16-20).

[6]Precisamente porque a Boa Nova é o próprio Jesus Cristo, Filho de Deus (cf. Mc 1,1), o missionário, para ser crível, deve ser coerente com Aquele que o envia e que anuncia. Daí o despojamento exigido no começo da perícope comentada (cf. Mc 6,8-10). (GNILKA, 1986,v. 1, p.278-279).

[7] Trata-se de um último resquício do segredo messiânico, mas, desta vez, às avessas. De fato, se antes o mandato era de calar e, no entanto, o silêncio era quebrado; agora a ordem é de anunciar, mas – ironicamente – as mulheres não dizem nada a ninguém (cf. Mc 16,8). (GNILKA, 1986, v. 2, p. 403). Aliás, como no relato da transfiguração – que prefigura a ressurreição –, em que os discípulos não devem dizer nada a ninguém, também agora – na hora da ressurreição – as mulheres não dizem nada a ninguém. (BARBAGLIO, v. 1, p. 619).